“A casa da nossa Mãe é sempre a nossa casa. E mesmo que nós não estejamos, Ela está sempre”

 No dia 10 de abril de 2016, pelas 17h30, já uma multidão juntava-se na Capela do Torrão do Lameiro (S. Pedro de Ovar) – desde a entrada, passando pela rampa até ao largo defronte, mais abaixo – para receber a Imagem Peregrina de N.ª Sr.ª de Fátima, que meia hora depois entraria, por esta localidade, na diocese. O bispo do Porto, D. António Francisco dos Santos, chegaria por essa hora, sob aplausos dos fiéis em festa.

Antes da chegada da Imagem Peregrina houve oportunidade para a bênção de uma nova imagem, de N.ª Sr.ª da Boa Viagem, que ficará fixada nesse largo abaixo da capela. Na bênção, disse o prelado: “Vamos abençoar esta imagem que vós quisestes dignificar, para ser uma porta aberta a todos os que aqui são acolhidos e daqui partem para espalhar a evangelização e a alegria da missão”. Depois desse momento, marcava ali presença o presidente da Câmara municipal, Salvador Malheiro, recebido pelo bispo do Porto e pelo pároco.

Às 18h, em ponto, chegava o cortejo protocolar com a viatura que transporta a imagem de N.ª Sr.ª de Fátima e denominada de “Mater Mobile”. Curiosamente, o nome foi dado pelo Cón. Amadeu Silva (um dos coordenadores da visita à diocese do Porto) – em sugestão ao reitor do Santuário de Fátima –, por ser muito idêntico ao “Papa Mobile”. A abrir a comitiva o carro da GNR, depois o carro com o bispo de Aveiro, seguindo-se o “Mater Mobile” e, ainda, a restante comitiva dessa diocese. Foi visível o abraço entusiasmante que ambos os bispos trocaram entre si, nesta passagem de testemunho. D. António recebia a Imagem Peregrina da diocese que foi sua, antes de assumir a do Porto. Daí, uma emoção a dobrar – a par da vinda da Senhora de Fátima entre nós –, para quem tem uma devoção mariana especial, como o pastor da Igreja Portucalense.

O “Mater Mobile” subiu até ao átrio da capela, recebida com os cânticos do coro e um grupo de crianças da catequese, entre a multidão presente, que acenava com umas bandeirinhas triangulares. Nelas estavam desenhos feitos pelas crianças, alusivos a Nossa Senhora e às aparições em Fátima. Seguiram-se duas intervenções: uma primeira de D. António Moiteiro e uma segunda de D. António Francisco.

 

INTERVENÇÃO DO BISPO DE AVEIRO, D. ANTÓNIO MOITEIRO

O bispo de Aveiro mencionou que “N.ª Senhora nas bodas de Caná deu-se conta que não havia vinho. O vinho significava o banquete de Messias, de Jesus. E então N.ª Senhora disse aos serventes: «fazei tudo o que meu Filho vos disser». Estas palavras de N.ª Senhora, que são únicas no Evangelho de S. João, ajudam-nos a entender que ela orienta tudo para o seu Filho Jesus e que ela é, de facto, aquela que pede a cada um de nós que escutemos a Palavra do seu Filho e a ponhamos em prática na nossa vida, nas nossas comunidades, nas nossas dioceses. É com muita alegria que a diocese de Aveiro entrega a Imagem Peregrina à irmã diocese do Porto. Que a passagem por Aveiro e pelo Porto, dioceses, seja abundante de bênçãos e renovação dos corações para que todos possamos, verdadeiramente, construir o reino de Deus. Que ela nos abençoe e abençoe as nossas dioceses”.

 

INTERVENÇÃO DO BISPO DO PORTO, D. ANTÓNIO FRANCISCO

“Quero saudar N.ª Senhora nesta imagem da Virgem Peregrina de Fátima e dizer-lhe as palavras do Anjo Gabriel: «Ave-Maria cheia de graça, o Senhor está contigo. Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre, Jesus». E quero rezar-lhe também, com o jeito e com as palavras de minha mãe, conforme me ensinou em pequenino: «Tudo podes porque és Mãe de Deus, tudo deves porque és nossa mãe». Senhora de Fátima, tu és Mãe de Deus. No Filho Jesus – Filho de Deus –, tu és Mãe de Deus nascido em Belém, do Deus redentor do mundo, do Deus salvador da humanidade. Mãe de Deus, és também nossa mãe, porque Mãe da Igreja e, concretamente, desta nossa igreja que está em Portugal e que desde 1917 sente a presença abençoada da tua proximidade, o teu olhar atento sobre todos nós, o teu rosto materno e o teu coração terno, que a todos nos acolhes. Mãe de Deus, Mãe da Igreja, és Mãe destas duas dioceses vizinhas e irmãs: da diocese de Aveiro, que percorreste ao longo deste tempo de Páscoa e aí se ouviu a Palavra do teu Filho Jesus, dita no alto da Cruz: «Mãe, eis aqui os teus filhos» e também os aveirenses ouviram as palavras do teu Filho Jesus, que lhes disse: «Filhos, eis aí a tua Mãe». É para a diocese de Aveiro que eu te suplico, primeiramente, bênçãos e graças. E ao deixardes essa terra abençoada, terra da ria e do mar, de gente trabalhadora e cristã, entras agora pelas portas da diocese do Porto. Vais estar connosco ao longo destas três semanas, para permaneceres sempre connosco. Recebemos-te aqui. Neste recanto sul da nossa diocese, entre a ria e o mar, com o mesmo jeito e com o mesmo rosto das gentes de Aveiro, com o coração firme das gentes do Norte, com a alegria da nossa Fé, que se quer fazer alegria do Evangelho, nossa missão, com o convite a sermos misericordiosos como o Pai neste Ano santo da Misericórdia. Queremos acompanhar-te ao longo deste trajeto, nos 26 concelhos e nas 22 vigararias da nossa diocese. Queremos que estejas com as crianças pequeninas, que não tiveram medo do frio ou da chuva, e que aqui estão; com os jovens, a sonharem caminhos de um mundo melhor; com as famílias, para que vivam a alegria do amor em família, como nos pede o Papa Francisco; com os idosos e os doentes; com aqueles que vivem provações e dificuldade. Recebemos-te, neste lugar, que é também tua casa e chão sagrado, onde és Senhora e Mãe, porque aqui moras com o nome de N.ª Sr.ª da Boa Viagem, para conduzires os que andam na estrada da vida, os que andam no trabalho da pesca ou nas ondas do mar. Acompanha-nos Senhora, Virgem e Mãe, Senhora do Rosário de Fátima. Abençoa esta diocese, onde agora entras, com os teus sacerdotes e diáconos, consagrados e leigos; com os seus bispos e servidores; com este povo bom, simples e cristão; com os movimentos apostólicos. Todos queremos estar contigo. Agradecemos este dom, que a diocese de Aveiro nos entrega pelas mãos do seu bispo, pelo testemunho dos seus padres, pela dedicação dos seus cristãos. Senhora do Rosário de Fátima, vamos ouvir-te com a solicitude e a atenção dos Pastorinhos Lúcia, Jacinta e Francisco, como eles te ouviram. Ajuda-nos e ensina-nos a rezar, dá-nos forças e coragem, abre o nosso coração à missão, para que saibamos semear em toda a terra a boa nova do evangelho que o teu Filho nos trouxe. Obrigado Mãe, obrigado diocese de Aveiro, obrigado por esta diocese do Porto que agora nos confias para servir. Que a tua bênção seja bênção para todos nós. Estão connosco os responsáveis eleitos para servir o povo nos concelhos vizinhos da Murtosa e de Ovar, que te recebem. Também este gesto e esta presença significam o tributo de homenagem de todos os cidadãos, a certeza de que somos terras de Santa Maria, a garantia de que continuas a trabalhar para sermos Igreja renovada ao serviço de um mundo feliz e melhor. Mãe, Senhora do Rosário de Fátima, rainha da Paz, padroeira de Portugal, abençoa-nos e ajuda-nos a que sejamos bênção para o povo que servimos. Obrigado, Mãe, por estares connosco”.

Findas as intervenções e esse momento de acolhimento no lugar de Torrão do Lameiro, a Imagem Peregrina prosseguiu em cortejo protocolar para a igreja de S. Cristóvão de Ovar. Nesse momento de despedida da diocese de Aveiro, ficou patente o choro em lágrimas do motorista Gonçalves, dessa diocese, certamente pela graça de ter acompanhado a Virgem e conduzido a imagem daquela que nos conduz. Passou o testemunho aos dois motoristas da diocese do Porto, encarregados por esta fase inicial: David Andrade e Cristina Andrade, pai e filha. No total, ao longo dos 22 dias, serão oito os motoristas com este serviço, distribuídos em quatro equipas.

Pelo caminho, foi interessante reparar na reação das pessoas ao longo da estrada, que por ali passavam e que não contavam ver a imagem. Quando se apercebiam que era a imagem de N.ª Sr.ª de Fátima que ia em andamento, a generalidade das pessoas parou, olhou fixamente e benzeu-se, por vezes inclinando ligeiramente a cabeça. Já no largo da igreja matriz, aguardava um grupo de presbíteros, uma enorme multidão, o batalhão dos Bombeiros Voluntários de Ovar e a fanfarra da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Ovar, que se fez ouvir antes de a imagem entrar na igreja e durante a eucaristia, no momento pós-consagração.

A igreja estava completamente cheia, porventura com cerca de 600 pessoas ou mais, para celebrar a eucaristia dominical das 19h. Estiveram presentes, entre os fiéis, algumas das autoridades locais: o presidente da Câmara, Salvador Malheiro; o vice-presidente da Câmara, Domingos Silva; o presidente da Assembleia Municipal, Pedro Braga da Cruz; o presidente da União das Freguesias, Bruno Oliveira; e os comandantes da Polícia de Segurança Pública e dos Bombeiros Voluntários de Ovar. Concelebraram com o bispo do Porto, que presidiu, 16 presbíteros da diocese (que não somente da vigararia de Ovar) e três diáconos, auxiliados por mais de uma dezena de acólitos. A animação litúrgica esteve a cargo do grupo coral, acompanhado por órgão, flauta transversal e violino.

Numa primeira saudação dentro da eucaristia, D. António Francisco – depois de saudar N.ª Senhora – saudou o pároco, o vigário da vara, o Cón. Amadeu Ferreira da Silva (assistente diocesano do Secretariado da Mensagem de Fátima) e o Dr. António Ferraz (presidente do Secretariado Diocesano do Porto da Mensagem de Fátima), “a quem confiei a coordenação desta visita da Imagem Peregrina”, declarou o prelado. E acrescentou: “Estamos nesta belíssima igreja que nos acolhe e nesta cidade que tão bem exprime a sua fé. As mães reúnem, congregam e aconchegam todos os seus filhos. Preparemo-nos para o encontro com o Ressuscitado e vivamos como verdadeiros filhos. É no coração da Mãe que coloco todas as intenções. Para que este olhar terno nos abençoe sempre e nos cuide com carinho, confiando na abundância da misericórdia de Deus”.

No final da celebração, o bispo do Porto exortou que “a casa da nossa Mãe é sempre a nossa casa. E mesmo que nós não estejamos, Ela está sempre. E a sua casa é o seu coração. Que ela esteja sempre no nosso coração”. Depois seguiu-se um momento de oração individual dos fiéis que desejaram abeirar-se da Imagem Peregrina. Nesse momento, registamos o testemunho de Anibal Alves, de S. João de Ovar, que afirmou: “Esta visita trata-se de uma questão de fé e de comunidade. Este é sempre um marco importante, por termos N.ª Senhora entre nós. Normalmente, faz-se o percurso exatamente contrário, indo nós a Fátima rezar à Senhora. Agora, é ela que veio e que vem a nós. Maria suscita toda uma manifestação de fé muito grande no seu povo”.

Durante a noite (entre as 22h e as 24h) e antes da velada de oração pelas paróquias de Ovar, rezou-se a oração do terço de modo mais solenizado, presidido por D. António Francisco. Dadas as condições climatéricas – com a forte chuva – a procissão não se realizou, como antes previsto. Nessa oração do terço, o prelado falou admiravelmente de improviso e apenas com o terço na mão. Numa preleção mais intimista, recordou, ali, que a primeira vez que foi a Fátima foi em 13 de maio de 1967, aquando da visita do Papa Paulo VI ao Santuário. D. António era, na altura, seminarista e juntou-se com alguns colegas a fim de irem a Fátima ver o Papa e N.ª Senhora de Fátima, dado que o Seminário não tinha organizado nenhuma saída coletiva a esse propósito. Lembrou, também, o quanto os seus avós eram grandes devotos da Virgem de Fátima.

 

(Grande reportagem do primeiro dia da visita. Por: ANDRÉ RUBIM RANGEL)



 

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